You Don’t Know Me®

Dentro da CaixaNº 05Issue 02 · Criatividade

Caio, de cabelo cacheado e barba cheia, sorrindo de leve para a câmera diante de uma porta de enrolar amarela, de camiseta preta. Um quadrado laranja riscado à mão o envolve e a assinatura “Caio Oviedo” atravessa a quina de baixo, sobre a camiseta.
Nº 05  Out 2026

Caio Oviedo

Criatividade não é mágica.

Caio Oviedo é fotógrafo, ator, publicitário e co-fundador da Dois 8. Abre a sua caixa para falar de escuta, de restrição, de comparação e de entrar na caixa do outro.

01

Liberdade ou restrição?

Eu acho que a restrição é um bom lugar pra você se balizar, né? Quanto mais liberdade você tem, talvez mais possibilidades você tenha. Eu, como um bom pisciano, eu fico muito no campo das ideias, eu fico ali, nossa, eu tenho tantas possibilidades e aí eu acabo não executando nada. Então pra mim a restrição acaba me levando pra um norte. É um misto um pouco das duas coisas, né? Mas eu acho que muita liberdade pode ser perigoso pra gente não executar nada.

02

O que mais te limita quando cria?

Eu acho que a comparação, cara, eu acho que quando a gente se compara a gente se diminui o tempo todo. Então a gente cai sempre nessa cilada de se comparar. Que fotão é esse que eu quero fazer? Eu acho que quando a gente se compara a gente sempre se diminui, sempre se retrai. Então é uma barreira que eu muitas vezes caio nessa cilada.

03

Qual crença sobre criar você deixou de acreditar?

Eu acho que uma crença que eu deixei de acreditar é que a gente nasce com um talento. A arte, né, seja qualquer forma de expressão, ela também é trabalho, ela também é referência, é também estudo, é fazer sentido. Então eu acho que o que eu deixei de acreditar é que é mágica. Tipo, criatividade não é mágica. Não é algo que você nasce com ou nasce sem. Eu acho que é algo que você abre espaço para ou não.

04

Pensar dentro ou fora da caixa?

Eu acho que pensar dentro da caixa, mas eu acho que a gente também tem que se possibilitar, a gente também tem que se permitir entrar na caixa do outro. Cada um tem uma caixinha. E pra mim é uma brisa entrar na caixinha deles e sair, voltar pra minha e trazer um souvenir. Pensar dentro da caixa, mas saber abrir e fechar essa caixa. Quando você quiser.

O canto do estúdio de Caio: um sofá claro de bordas pretas com uma bolsa preta em cima, um par de tênis no chão e uma estante de madeira com revistas.
Uma caneca amarela, um molho de chaves e o estojo de fones sobre a mesa de madeira clara, ao lado de uma câmera compacta.

Pensar dentro da caixa, mas saber abrir e fechar essa caixa.

You Don’t Know Me® São Paulo — Brasil · 2026